Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

O farol nas nuvens


Imagem: Jose Marie Carino

Percorreste as nuvens cinzentas que se pintavam de azuis quanto mais ias subindo,
atiravas para trás todas as nuvens com desenhos, mas encontravas sempre outra,
sobrevoavas os céus em redor de todas elas, que te abraçavam, e se desenhavam em ti.
O sol nascia devagar lá em cima,
cá em baixo na terra das pessoas chovia, o vento levantava-nos, mas não nos levava até às nuvens, apenas o bombear do coração me ajudava a atravessá-las contigo,
porque eu sou eu, em ti,
e é nesse ser que existo e voo, e nessas nuvens que tu atiravas para mim com palavras dos céus.
Deitada nos lençóis ia-as contando e voava mais que tudo,
mais que todos,
mais do que sei,
mais do que pensei,
____mais...
___________mais....
_______________________mais....
e adormecia no meu braço a ouvir as turbinas das viagens percorridas,
e tu lá no alto ias fechando os olhos, e escutavas a viagem até eu sentir na pele que descias para a terra das pessoas,
e caminhavas nas margens do Sena e continuavas a contar as nuvens que as sopravas devagar para mim.

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Regresso!


Imagem: Zambujeira do Mar, Agosto 2008

Regresso de va gar com vontade de partir,
recomeço onde ainda não estou,
sento-me onde a cadeira ainda não balança nos dias que me têm,
o chegar é nostálgico, as recordações dos tempos na areia, da água que nos salga,
das conversas tardias, do pôr do sol que nunca se põe porque ele está é em nós, fazem-me passar minutos, horas em silêncio.

Percorro a casa e vejo-me a partir sempre,
partir para onde nunca estive, para um lugar que me leve para dentro dele,
gosto de regressar aos amigos, aos jantares, aos copos de vinho partillhados,
à cama no escuro,
gosto de regressar com um pé sempre de fora.

Recomeçar, e tirar partido de tudo,
comer os frutos e deliciar-me na sombra,
encontrar as ruas vestidas com gente,
acordar ao som do despertador e esperar por um sábado, para um pequeno almoço tardio,
regresso aos cds, onde a música me acompanha,
regresso à correria dos dias,
regresso à casa que me acolhe,
mas vou sempre em ti para outro lado, onde as pernas tremam e a vista não alcance o fim.

Recomeço de va gar com vontade de partir!

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

O ninho do pássaro onde aterraste!





Nélson Évora voou no ninho do pássaro para um ouro, merecido!

O infinito é onde o coração nos leva!

Ergueu a nossa bandeira desde o primeiro dia e vestiu-a por dentro. «Vivi uma experiência inesquecível, ao transportar a bandeira do nosso país naquele estádio magnífico perante mais de 90 mil pessoas. Inesquecível!"

Parabéns.

O meu obrigada , este farol brilha hoje com cor de ouro na emoção, no querer, na vontade e principalmente no acreditar

Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Uma ementa com gosto!




Uma noite por excelência!

Frio em Agosto,
uma praça escura onde a tela se reflectia nas caras,
uma praça viva com gente dentro,
e um filme que me levou a esquecer o meu ódio figadal aos ratos, a estes eu não fazia uma ratatouile não!

Por estas razões e outras eu adoro a minha cidade!

Um filme com todos os ingredientes em que todas as misturas se saboream a cada minuto, foi mesmo uma noite onde a ementa não falhou, só me apetecia saltar para o ecran e ficar a deliciar-me ....!!!

Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Prata que nos inspira



Imagena: IOL Portugal diário e Visão online


A ti, força viva de querer,
A ti Vanessa Fernandes parabéns!

A ti que nos brindaste com um mar de prata, onde a água te levou a padalar mais e mais e onde o esfalto não te fugiu dos pés.

A ti que me fizeste estar acordada e acreditar que era possível.

Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Até à volta!


Imagem: Sandra Muequin

Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Nós!

´
Imagem: Laurent Orseau

Nós somos os anjos
deste tempo

Astronautas,
voando na memória
nas galáxias do vento...

Temos um pacto
com aquilo que
voa

– as aves
da poesia

– os anjos
do sexo

– o orgasmo
dos sonhos


(Maria Tereza Horta)

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Um salto a Paredes de Coura


O Ricardo e o João Nuno já lá estão, eu e a Di vamos dar um salto ao maior festival do Norte, e esperam-nos os The Rakes, os Editors e para acabar bem a noite os Primal Scream.

Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Chuva que molha o Verão


Imagem: Seansean

Esta chuva que nos molha,
que bate nos vidros e apetece ficar por casa a contar as gotas que saltam das nuvens,

esta chuva que tem cheiro a terra,
que inunda os corpos na rua,

esta chuva que bate em dias que o sol devia espraiar,
e que reluz no chão o branco que devia ser amarelo,
que nos faz escorregar em vez de transpirar,
que deixa que se respire,
que tem sabor a verão à espreita de um Outono ainda fechado,
que nos traz um inverno sem frio,
que nos tira a sede e nos impede de derreter,

esta chuva fora de horas num tempo que não conhecemos,
esta chuva que nos molha a norte e chega ao sul,
esta chuva que se confunde com as ondas do mar sem sal,
que nos banha em qualquer tempo,
porque este tempo
já não é o das estações que rodam no calendário,
é um tempo recente que cambia em cada ano.

E pego em cada gota e aqueço-a com a mão de um verão que ainda es para amanhecer.

Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Dunas onde me deito


Imagens: Michel Büschke

Vontade de me confundir com as Dunas e sentir a àgua nos pés que me refrescam,
olhar o céu e misturar-me com o azul,
arrefecer dos dias quentes,
e descansar no azul que me veste por dentro,
sentir o sal,
correr e marcar pégadas onde nem o mar as leve,
voar voar voar voar
deitada na areia e construir um castelo de emoções,
que me arrebatam para outras viagens,
para outros sítios,
locais,
mais frios ou mais quentes,
que me levem ao imaginário das bolas de neve quando tocadas pelas mãos,
essas que são as minhas nas tuas,
essas são as minhas dunas onde me deito.

Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

O vento bebido


Imagem: Rafael Bednarz

Enrolo-me a ti,
quente vibro na pele
sinto-te,
sentes-me!
tens-me,
una,
uma,
toda....

Os lençóis encorrilham-se ao toque dos corpos presentes,
percorro-te

d e v a g a r,

m u i t o

d e v a g a r

e em cada dobra tua reconheço-me
estampo-me sem saliva,
moldo-me
e em cada toque teu, nasço outra vez,

como a primeira,
como a única,
como eu,

como se o mundo rodasse nos ponteiros dos nossos corpos deitados,
onde as sombras se espreguiçam no sol que entra,
e os corpos se deleitam, e se sentem
um,
uno.

No toque dos teus dedos revelo-me por dentro,
na tua pele viajo ao desconhecido que me acorda e adormece,
e nesse acordar vivo,

viva,
vida,

e bebo-a como se fosse a última.

Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Kings of convenience



Melodiosos,
Acústicos,
um prado de algodão doce,
beleza pura e calma,
duas vozes em paralelo que caminhavam directos ao coração,
assim foi ontem o concerto na Casa da Música,
onde no final as cadeiras pouco confortaveis deram lugar a um baile em pé onde todos batiam palmas e o corpo moldava-se a cada nota musical.

Valeu a pena saltitar neste céu de letras inspiradoras deste duo folk-pop indie de Bergen, Noruega que se assemelham a um Simon and Garfunkel dos anos 2000, aos Belle and Sebastian com toques de Pearlfishers.

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Desperta-me de noite


Imagem: Jean Sebastien Monzani

Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito

É rede a tua língua
em sua teia
é vício as palavras
com que falas

A trégua
a entrega
o disfarce

E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lençol que desfazes

Desperta-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo

E eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vai descobrindo vales.

(Maria Tereza Horta)

Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Os amigos que me pintam com cor do vento


Imagem: Dominguez

Há amigos que nos pintam com cor,
esses são os meus amigos,
aqueles que partilham uma música,
um jantar tranquilo ao sabor de um bom vinho e de um cigarro que vai empatando a conversa,
de um toque e um abraço que nunca falta,
de uma mensagem de boa noite ou bom dia,
que nos mandam um postal,
que nos limpam as lágrimas com sorrisos,
que nos marcam de rugas com gargalhadas mútuas,
que nos incendeiam com conversas até de madrugada onde o sofá nos vai aconhegando

_________estão,

_____________são,

________________têm,

____________________vêem,

_________________________ sentem,

brincam com as palavras que nos acariciam,
soletram poesia no modo de vida,
agarram as palavras que transmito,
esculpem e decifram p a l a v r a s na minha pele quer faça chuva ou faça sol,
que se enroscam à casa que os abriga,
que nos abrem a porta a qualquer hora,
são casas sem fechadura, onde a chave se chama amizade,

que nos encontram no sabor de uma tarte,
que nos cheiram num prado,
que nos vestem por dentro,
que me encantam todos os dias,

esses são os meus amigos que têm cor,
e me pintam o arco iris por dentro
em tempo de chuva,
de sol,
de neve,
granizo,
de dia e de noite,

onde os ponteiros não têm horas porque badalam ao bombear do coração.

Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Eu e mais eu!


Imagem: Karel Sobota

Mimalha, sou,
estremeço e brilho ao mimo,
querem pôr-me feliz, dêem-me mimo,
uma palavra,
um gesto,
um beijo,
um abraço,
um toque,
e lá estou reluzente, com sorriso estampado,
sinto as árvores como minhas,
sinto-as e são,
o mar é meu, é meu e de todos, mas é meu também,
porque gosto dele, porque o mimo, e porque me responde,
o farol em qualquer lado ilumina-se por si só, é meu mima-me porque existe em qualquer porto,
em qualquer mar, e quando lá não está eu desenho-o e é meu,
eu sou do mundo, sou do mar,
sou das árvores das letras que me alimentam, dos sorrisos que partilho,
sou do meu ombro à noite,
sou mimalha, sou, sou eu,
e no mimo cresço,
e nele me inscrevo todas as noites,
e birras, não, não suporto, essa não sou eu,
eu sou o vento no farol que vive no Norte,
que dá valor a uma torrada barrada com manteiga,
como a uma partida de futebol,
uma conversa amena ou palpitante,
a um gesto que não se conte,
a um poema partilhado, a um livro que se oferece vindo dos correios,
como apenas a um momento de olhares,
essa sou eu, que vive a vida na plenitude do dia,

e quem sou eu afinal?
descubro-me todos os dias,
___________________ em ti, em mim, em vós,
e marco-me como sou nas pessoas onde me inscrevo e tenho delas as histórias por dentro da pele.

Na mochila onde vivo, resido no sofá azul, onde o ombro direito acolhe a minha face e o meu peito todos os dias, e todos os dias a mochila se abre a mais um dia, e eu levo-a sempre comigo, para onde vivo.

Essa sou eu Hoje!

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Amor


Imagem: Modenkind

Cala-te, a luz arde entre os lábios,
e o amor não contempla, sempre
o amor procura, tacteia no escuro,
essa perna é tua?, esse braço?,
subo por ti de ramo em ramo,
respiro rente á tua boca,
abre-se a alma à lingua, morreria
agora se mo pedisses, dorme,
nunca o amor foi facil, nunca,
também a terra morre.


(Eugénio de Andrade)

Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

O vento que incendeia


Imagem: Marcin Twardowski

Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.

- Porém, tu sempre me incendeias.

(excerto de Herberto Helder em o Amor em visita)

Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Farol na praia com a luz em terra


Imagem: Ricardo, Paris 2008


Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

(Clarice Lispector)

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

As linhas


Imagem: Sven Sholz

Quando uma estrada termina, há sempre uma seta,
uma avenida, uma rua, um caminho, um passeio, um carreiro,
uma auto-estrada, uma linha que começa!

A minha estrada é esta que sigo, que vou nela, com todas as curvas e cruzamentos,
páro nos entrocamentos,
acelero nas avenidas,
percorro os becos,
olho as janelas, entro nelas, sigo-as até aos pátios, esvoaço como os pássaros
e percorro a tua linha, que me desvia, que é descontínua que não tenho medo de atravessar, que me leva na mão, que se sente no pé, que me descalça no chão.
Essa estrada que é minha e de mais ninguém,
___________ estrada que me move e me pára,
essa estrada que és tu em mim,
_______________________ e sou eu na vida e nos cruzamentos de avenidas,
perfiro-as estreitas, com becos, luzes ténues, prefiro descobri-la devagar, que me chame para dentro dela, prefiro-a com cor, com muitas s que mude do amanhecer ao deitar,
prefiro-as devagar.
As estradas abertas, as avenidas - acelera-se mas terminam numa portagem, numa cidade, são fáceis.
______ os becos, as pequenas e estreitas ruelas, não terminam
_____________________________________________ e quando terminam sou eu a caminhar em ti!

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

O vento estampado


Imagem: Jeff Carr

Estampas-te na água como em mim,
todas as sombras se abrem.

Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Com palavras



Imagem: Aurélie Villegas

Com palavras me ergo em cada dia!
Com palavras lavo, nas manhãs, o rosto
e saio para a rua.
Com palavras - inaudíveis - grito
para rasgar os risos que nos cercam.

Ah!, de palavras estamos todos cheios.
Possuímos arquivos, sabemo-los de cor
em quatro ou cinco línguas.
Tomamo-las à noite em comprimidos
para dormir o cansaço.

As palavras embrulham-se na língua.
As mais puras transformam-se, violáceas,
roxas de silêncio. De que servem
asfixiadas em saliva, prisioneiras?

Possuímos, das palavras, as mais belas;
as que seivam o amor, a liberdade...
Engulo-as perguntando-me se um dia
as poderei navegar; se alguma vez
dilatarei o pulmão que as encerra.

Atravessa-nos um rio de palavras:
com elas eu me deito, me levanto,
e faltam-me as palavras para contar...

Egito Gonçalves,
in Sonhar a Terra Livre e Insubmissa

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

A respiração profunda




Salaspils, Letónia - memorial do campo de concentracção Nazi

Por detrás desta parede a Terra grita!

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

De volta


Riga junho 2008


Riga é uma cidade encantadora,
ainda não me recompus...

Vermelho,
azul,
verde,
noites brancas,
longas avenidas,
gatos,
sinos,
fachadas com história dentro,
anos de territórios ocupados,
vida,
crescimento,
elevação,
água banhada por florestas de pinheiro.

cansada, cansada mas de alma nova, volto depois com as histórias.

Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Uma viagem de sonho


Imagem:ladybirdnest.blogspot.com


E lá vou eu até à Letónia, conhecer Riga a maior dos cidade dos países Bálticos, estou entusiamadíssima, é mesmo um sonho em realidade.

Até à minha volta cheia de imagens.

Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Como se pode escrever sobre banalidades e ficar a pensar que nada é banal


(Imagem Peta Jones)

As gravatas são uma celebração da inutilidade. São uma forma de dizermos: sim, eu sei que isto não passa de um trapo colorido sem nenhum valor utilitário. Mas o mundo que habitamos, quando despido de qualquer coloração humana, também não passa de uma evidência física incapaz de transportar qualquer sentido, ou beleza, ou eternidade.(...)

Os quadros que amamos são uma mistela de tintas sobre linho: um amontoado de átomos sem nenhuma expressão humana particular. Mas quando os vemos com um olhar grato e deslumbrado, a evidência da tinta desaparece por trás de deuses ou heróis que tomam literalmente conta do quadro. Um traço de tinta é agora um braço; a folhagem perdida de uma vista; o nevoeiro que vem e tudo cobre. E o que ficam são histórias e mais histórias: de como Vénus nasceu das águas. (...)

Mesmo o rosto da pessoa que amamos será uma colecção de tecidos animados por um batimento cardíaco que começa e acaba sem ninguém saber como, ou porquê. Mas o rosto da pessoa que amamos é tudo menos isso: é a promessa de que a nossa solidão é testemunhada e embalada pela simples presença daquele rosto. Os livros de anatomia estão certos. Os livros de anatomia estão completamente errados.

(Excerto do texto de João Pereira Coutinho)

Este texto é mesmo uma delícia, e foi-me enviado pelo meu RG.

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

A Perfeição


Imagem: Maciej Pokora

O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.

O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.

Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.

O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.

Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.

(Clarice Lispector)

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Porque é tempo de bola!


Imagem: Antonella Arismendi

Vamos relaxar nos relvados ao som da bola que não para,
do apito que não soa,
do coração que rebenta,
do suspiro,
dos ais que se lançam a cada momento,
do golo que se pede,
do passe que não se falhe,
da baliza a vibrar,

de nós a berrar,
da cerveja que vai refrescando,
o tremoço que ajuda,
dos abraços que se partilham,
dos insultos que desopilam,
mas com tudo isto o que é certo é que o coração manda gritar mais uma vez,

FORÇA!

Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

No caminho


Imagem: Victor G


Procuro a sombra que me tira do sol,
encontrei o sol que me afastou das sombras,
levanto-me sinto o mar
caminho nele com o sol rodeado das palmeiras que me fazem respirar.
A areia marca-se a cada passo,
as pégadas vibram e ondulam-se no vento que bate no mar, as palmeiras viajam comigo, e pintam-me de branco.

quantas pégadas somos nós no caminho?

Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Uma delícia de CD



Ando louca com este CD, é mesmo impressionante, as músicas envolvem desde a primeira à última, muito diferentes, muito por dentro, ai vou rompê-lo vou!

Podem conhecer mais do grupo aqui.




Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Tempo de florescer


Imagem: Dorota wrbleuska

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

(William Shakespeare)

Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

A Ti farol parabéns a Ti vento que nunca faltaste!


Lighthouse at Stykkishólmur


Parabéns!

Neste ano caminhei pelas palavras em torno das letras do vento, e da luz que traziam,
neste ano escrevi, senti, li, conheci,
tornei-me vento com um farol que me ilumina,
neste ano o mar começou a falar,
neste ano a luz não faltou,
neste ano este farol cresceu comigo e com quem o lê,
neste ano o vento sopra e não arredo pé do meu lugar,
neste ano todas as letras se juntaram, moldaram, cresceram, pintaram-se com cor,
e nasceu um farol
mais quente,
mais iluminado,

mais transparente,
mais meu,
mais vosso,
mais eu,
___________mais
___________mais
___________mais
___________mais
___________mais
dancei,
brinquei,
fui séria,
gargalhei,
chorei,

adormeci nas letras,
transpareci na curva das palavras, e encondi-me num texto completo,
e assim este farol ganhou um ano de vida,
ganhei eu,
ganhou o vento que caminha nas minhas veias,
ganhou o mar que se foi iluminando,
e ganhou o coração que começou a bombear.
estou feliz neste farol, o vento passará a bater na face que se enrodilha no tempo,
a brisa passará a rajada em dias cinzentos,
a luz não se apagará porque haverá sempre uma letra que a incendiará!


A todos o meu obrigada, a ti farol Parabéns!
A ti vento que me vestes todos os dias!

Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

De tudo





Imagem: Dorota wroblewska

De Tudo ficam 3 coisas:

A certeza de que estamos sempre começando,
A certeza de que precisamos continuar,
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.

Portanto, façamos:
- Da interrupção, um novo caminho.
- Da queda, um passo de dança.
- Do sonho, uma ponte.
- Da procura, um encontro...

(Fernando Pessoa)

Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Espaço para o Sol


Imagens: Horhellito

À espera que ele apareça a espreguiçar-se nas nuvens que voam no céu,
e que inunde o que até agora é molhado!

Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Um bom dia de sono


Imagem: Deranged

Hoje o sono instalou-se desde que acordei de manhã, acordei!!!!
Abri os olhos, saltei da cama para trabalhar, porque acordar, acordar não me parece,
continuo a sonhar, continuo com um sono maravilhoso.

Uma das melhores sensações é andar a ronronar o dia todo, com o sono que ainda se foi colando ao corpo...
- abre-se a boca,
- sentem-se os olhos com água,
- ficamos lentos e preguiçosos,
- escrevemos devagar,
- não nos irritamos,
- falamos pouco, apenas sorrimos

e passamos o dia todo noutra dimensão, a pensar, a pensar, a pensar
que quando nos enroscarmos nos lençois, ai que bom sono!!!!!!

E o dia a ajudar.... o chuva bate, o frio, o vento, ai que bom sono, mesmo!

Assim desejo a todos um bom dia de sono, até nos espreguiçarmos nos raios de sol que nos acordarem.

Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Saberás?



Imagem: Fredpaq

Saberás que não te amo e que te amo
pois que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem sua metade de frio.

Amo-te para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Amo-te e não te amo como se tivesse
nas minhas mãos a chave da felicidade
e um incerto destino infeliz.

O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.


(Pablo Neruda)

Agradeço à menina pintada em tons de azul, o envio deste belo poema.

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Grande noite!




Quando a liga dos últimos foi festejar a liga dos campeões.


Uma grande noite, a alegria estava estampada nas caras, seguiram-se umas francesinhas e mais uns finos pelas ruas do centro histórico de Guimarães, os protagonistas principais foram o João (um portista, uma companhia no estádio, um amigo onde a música nos junta tantas e tantas vezes) o Ricardo (o meu vitoriano que me leva para os relvados pretos e brancos, a mim que sou uma Dragoazinha, o meu amor ) e o meu Pai (um portista, um pai, um amigo, um abraço que nunca falha).
Eu por lá andei também, o dia seguinte foi mais difícil, o sono atravessou-se em mim o dia todo.


São estas noites que nos abraçam por dentro!

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Lugares meus


Imagem captada pelo RG numa viagem linda.

Há lugares que se tornam meus porque me vestiram por dentro,
sento-me neles vejo as pessoas e sinto-as,
percorro o lugar e encontro os recantos da minha pele,
pele que se arrepia com a beleza das palavras,
palavras que saltam em mim e me despertam,
e é nesse despertar que vivo os dias,
estes dias que são infinitos,
porque é este o tempo que me cabe,
é nestes ponteiros que o sangue corre à velocidade da vida,
vida que se sente na água que se banha no verde das árvores,
árvores que não me sombreiam porque a luz está dentro.

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Serenidade


Imagem: Taesamag

Vem serenidade!

Faz com que os beijos cheguem à altura dos ombros
e com que os lábios cheguem à altura dos beijos.


(Excerto de vem Serenidade de Raúl de Carvalho)

Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

O som do Preto e Branco!




Imagens retiradas do Vitória Sport Clube


Ontem a poesia esteve nos relvados,
a música sentia-se na pele,
a força do acreditar,
a vontade do querer,
o dar-se com vontade de vencer,
não é mais do que isto que se pede aos jogadores que pisam as quatros linhas.

E foi lindo!
Um delírio nas bancadas,
o choro da emoção,
os saltos de alegria,
era tudo preto e branco,
todos se vestiram por dentro com a cor de um Afonso Henriques, que continua a reinar,
os abraços eram o culminar da alegria,
o som da Champions já se adivinhava, já ecoava em cada coração que batia fortemente,
já corria nas veias de quem toda a vida sonhou.

E, assim foi o Vitória de Guimarães pintou-me a mim de branco também,
comoveu-me o som do desejo do sonho que aconteceu.
Até de madrugada a festa reinou,
numa gente, num povo, numa cidade como não há igual.

Parabéns ao Vitória de Guimarães ao som da Champions!



Parabéns Ricardo pela forma como vibras e te dás a este clube, que me levaste para os relvados e que me pintaste de branco.

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Farol no rasto


Imagem: Novic

Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

(António Machado)