
Imagem: Jose Marie Carino
Percorreste as nuvens cinzentas que se pintavam de azuis quanto mais ias subindo,
atiravas para trás todas as nuvens com desenhos, mas encontravas sempre outra,
sobrevoavas os céus em redor de todas elas, que te abraçavam, e se desenhavam em ti.
O sol nascia devagar lá em cima,
cá em baixo na terra das pessoas chovia, o vento levantava-nos, mas não nos levava até às nuvens, apenas o bombear do coração me ajudava a atravessá-las contigo,
porque eu sou eu, em ti,
e é nesse ser que existo e voo, e nessas nuvens que tu atiravas para mim com palavras dos céus.
Deitada nos lençóis ia-as contando e voava mais que tudo,
mais que todos,
mais do que sei,
mais do que pensei,
____mais...
___________mais....
_______________________mais....
e adormecia no meu braço a ouvir as turbinas das viagens percorridas,
e tu lá no alto ias fechando os olhos, e escutavas a viagem até eu sentir na pele que descias para a terra das pessoas,
e caminhavas nas margens do Sena e continuavas a contar as nuvens que as sopravas devagar para mim.


















































